domingo, 21 de março de 2010

Smile :)

Era janeiro quando ele marcou uma carinha sorrindo na minha geladeira. E ordenou que eu nunca mudasse a marcação dali. Também foi em janeiro que ele mandou que eu desenhasse sorrisos. E meu caderninho cor de rosa está recheado deles. Mesmo quando os dias são tristes - não se pode desobedecer a um soldado cipriota.
Ontem, o dedo da desordem tirou a marcação do sorriso, acabou por me secar um pouco mais e me fazer desacreditar em dias melhores. Mas tudo vai ficar bem. Nem que eu tenha que esperar até maio, nem que seja só em Berlim.

segunda-feira, 8 de março de 2010

é assim que a gente sabe que faz falta para alguém

Me: I wanna see you!

He: :-):-)
m2
m3
m4
m100000000000000000

domingo, 7 de março de 2010

7 de março de 1999

Foi no primeiro fim de semana desse março distante que vivi uma noite feliz. Foi quando minha boca encontrou a sua pela primeira vez. E na ilusão da paixão aos 19 anos, dormi sorrindo - e só deus sabe quando vou me apaixonar assim de novo... Lembro de voltar cantando pela madrugada, de achar o céu sobre a balsa mais estrelado.
Tanto se passou, tanto eu vivi nesses últimos 11 anos...Tantas cores meu cabelo teve, tantos beijos distribui pelo mundo.
Mas há um detalhe dessa noite que me joga no chão de lajotas frias da realidade sem cuidado: segurei sua mão para caminhar até o carro e você esticou os dedos gelados do copo de vodca. Uma rejeição silenciosa. E eu não ouvi porque era uma noite de barulhos.
Mais de uma década de repetições: carinho, rejeição, carinho, rejeição. Mas hoje acordei tranquila - ainda com os olhos pintados de ontem, não há marcas de lágrimas em mim. Tenho certeza que o meu amor você pedeu em setembro, o meu desejo em dezembro e o meu respeito é uma questão de tempo - o tempo...este sim, pode tudo. E eu não quero segurar a sua mão.

sábado, 27 de fevereiro de 2010

Colcha laranja

Eu sou o fio solto da colcha laranja. O aborto não feito. O que faz parte sem fazer. Sou quem não cabe no carro, quem não concorda, quem não encaixa. Sou o sonho realizado às avessas. O parto a fórceps. Sou um erro.

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A colcha laranja veio de uma ilha distante na mochila de um cipriota. Veio para mim. Não foi por acaso. Não foi sem querer. Nem porque eu pedi. Veio de presente. Porque ele gostou de mim. E quando faz sol, a colcha ilumina toda minha casa de luz laranja. Espelha vida em paredes azuis de cansaço.

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Quando ele foi embora, chorei. E ele viu. E abraçou minhas lágrimas no meio do parque. Talvez por isso, e só por isso, ele entenda minha dor sem medi-la (e olha que ele, um soldado órfão, poderia fazer isso com autoridade). Talvez por isso, tenha se calado tantas vezes só para escutar meu inglês ruim. E talvez por isso, só por isso, ele seja um homem maior que os outros. Mesmo que não seja amor.

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Só quem nasceu em cidades portuárias como Santos, Buenos Aires, Nova York e Pafos, sabe a falta que o cheiro podre de combustível e mar e a luz laranja da noite atracada fazem. Só essas pessoas acostumadas a umidade se entendem sem palavras e sofrem sem lágrimas. O resto finge.

sexta-feira, 26 de fevereiro de 2010

Quando a semana vai mal...

...recebo um recado na minha caixa de mensagens:

"wishes for the best my sexy
always thinking of you, with love alex!"

E quase que as coisas melhoram.

domingo, 7 de fevereiro de 2010

It´s not fair

Não, não é uma música da Lily Allen. É só uma opinião.
Tão difícil encontrar alguém que goste da gente. E goste assim quando acorda com a cara amassada, quando não tem tempo para nada, quando está com calor dentro de um ônibus, quando não cozinha - nem lava a louça - , quando está triste. Tão difícil... E quando eu acho, mora longe. Não é justo não.

segunda-feira, 1 de fevereiro de 2010

Sério. Não tô acreditando mais nisso...

Não é que ele veio de uma ilha grega qualquer. Ele veio de Pafos. A ilha de Afrodite. Morri.

Tem mais alguma coisa para acontecer ou esgotei minha cota para 2010?