quarta-feira, 13 de julho de 2011

sonhos

Sonhei com você a noite toda. Já passaram quatro meses. No meu sonho, precisava falar contigo porque eu tinha mudado de casa e estava infeliz. Já passaram quatro meses. E eu mudei mesmo. Recado do subconsciente ou do Destino. Não sei, não acredito no Destino. Ele mente. Já passaram quatro meses. Te contei um dia, não deves lembrar, que em 2004, quando procurava minha casa atual e curava o corpo da depressão pós 22 anos, sonhava com você me guiando pelos caminhos irreais das imagens noturnas até o que seria meu quarto azul de hoje. Já passaram quatro meses. Mas, nesse sonho de ontem, não havia solução para a tristeza e você tinha um affair com uma amiga minha. Abandonada numa avenida da zona sul de São Paulo, caminhei surrealista pelo meu incosciente sem sentido - ele também sem esperança.
Sonhei com você a noite toda. Acordei achando que meia hora de café e cigarros talvez pudesse me fazer entender o que não consigo ver. Talvez a sabedoria de trapezista que vive em solo plano e confortável seja o que preciso agora. Mas não vou saber.
Tempos estranhos esses. Mal tenho fruta em casa.
Angustia.
Tenho vontade de chorar durante a tarde. Não por sua causa. Por minha mesma. Por não saber consertar o que fiz com minha vida. Por não confiar. Por não acreditar. Por não enxergar solução.
Quero morrer às vezes. E outras, ir para Berlim - sozinha. Desta vez.

domingo, 10 de julho de 2011

tristeza não tem fim

A tristeza depende muito pouco de uma casa, um trabalho, um amigo. A tristeza é constante dentro da gente.
Nunca tive tanta vontade de morrer e, ao mesmo tempo, tanta certeza que não vou me matar. O tédio e a tristeza são tamanhos que não tenho nem forças para pedir minha morte.
O cabelo cresce e eu não corto. Os pelos crescem e eu raspo só por raspar. Os dias começam e terminam. Como sempre foi. A criança da mesa do lado faz birra pra não comer a batata e eu começo a achar o Destino sensato. Eu afogaria com minhas lágrimas uma criança gerada por mim. E, se não fosse afogada, morreria de tédio ainda um zigoto.

Está fácil não.

quarta-feira, 13 de abril de 2011

vou viajar em dois dias

E isso é bom. É com o pé em outro lugar que sou o que sou: sozinha.

E é isso aí.

segunda-feira, 11 de abril de 2011

vaivém da saudade

Vou voltar para aquelas ruas com nomes de países latinos.
Vou atravessar as ruas entre táxis baratos e ouvir tango nas praças.
Sou eu. Eu, não eu.
Fiz o que meu soldado disse entre uma garfada num corte diferente de boi e uma batata frita: parei. "You should stop, you know it, don't you? You should". E eu parei. De ver, de falar, de pensar... Não, de pensar não. Você ainda existe de um jeito torto nos meus registros cerebrais. Mas, depois de arranhar ainda mais minhas cicatrizes, é verdade, eu parei.
E aconteceu tanta coisa e não aconteceu nada. Vou pisar a terra de Cortázar sem a tristeza de outrora. Porque, dela, meu soldado me tirou.
Mas vou entrar na tristeza da saudade. E vou me lembrar de mim, do soldado, do soldado em mim, de Berlim, da Baronesa de Itu e vou tomar café o tempo inteiro. Isso não é férias.

Mas está tudo bem. Estamos todos bem. É o que importa. Move on.

quarta-feira, 16 de março de 2011

Não fique triste que esse mundo é todo seu


O mundo é cheio de poesia. Como Otto me ensinou.

Coloquei o colar de contas que ele me deu hoje. Não sabia. Mas fui transportada para 2006. E foi bom.

terça-feira, 15 de março de 2011

fim de semana

Robert Mapplethorpe assina "Azul" em uma carta para Patti Smith. Chorei por três minutos depois de ler.

Um homem Azul. Que eu não tenho mais coragem de ver.

Sonhei duas noites com as palavras de Patti. Não fui trabalhar na segunda-feira.

Tive a pior cólica dos últimos 10 anos. Não tinha ninguém para me ajudar até que meu útero parasse de contrair. Tão presente em mim. Meu útero. Queria arrancá-lo com minhas unhas vermelhas feitas por uma manicure carioca. Vomitei.

Recebi, pela primeira vez, uma proposta digna de trabalho. Não tenho, pela primeira vez, para quem contar. Nem um amigo, nem um homem.

Entrei no Netão com medo de encontrar almas perdidas. Estava muito quente. Fomos embora. E não vi ninguém. Ufa.

Santa Cecília é padroeira da música. A Patti também escreveu isso.

Eu queria ser perfeita. Disse Nina Sayers em outro fim de semana. Eu também queria. Não sou. Nem para mim.

quinta-feira, 10 de março de 2011

Contardo, te amo!

"...quem acha que seu lado obscuro é feito de carnes trêmulas e cerveja deveria fazer um esforço sério para sair da infância", do Contardo Calligaris, hoje, na Folha de S.Paulo