sexta-feira, 5 de dezembro de 2008

A menina de vidro não quer mais brincar

Contos de Fadas para a Criança Sabedoria - V

A menina de vidro só se apaixonou uma vez. Ela tinha 19 anos. Não sabia muito da vida, a menina. Mas reconheceu o amor mais puro do mundo no menino azul. Apaixonada, a menina voou. Sorriu pelas bancas de frutas coloridas e perfumadas a beira da praia. Transparente - ou invisível? - (per)seguiu o menino azul pelas galáxias.
A menina de vidro tentou guardar o menino azul dentro dela. Mas ele era feito de ar e escapava. Ela insistia. Ele corria. Às vezes, ele vinha em brisa e se enrolava nos cabelos da menina. Ela tilintava. E subia aos céus. Mas a tormenta sempre chegava e lá se ia o menino azul. E a menina de vidro caía lá de cima das nuvens. Sozinha. Quebrava no chão amarelo. Seus cacos se espalhavam pelas ruas. Os prédios, refletidos no vidro no corpo da menina, entortavam. E a enxurrada levava a menina para longe do menino. Azul. Aos poucos, ela se colava. Ia juntando cada pedacinho e colando com esperança. De um dia tudo passar, de um dia ele entender, de um dia ser amada também.
Mas não passou. A menina de vidro percebeu que não adiantava. Que o menino azul era mais de fumaça do que de ar. E que ela já tinha gastado todo seu estoque de cola para juntar os pequenos cacos. Ela não podia mais arriscar. Nada de procurar meninos de prata, meninos de barro, meninos de pena. Ela não podia mais arriscar. Mais um tombo, um tropeço, e tudo iria virar pó. A menina de vidro tentou por 10 anos que o menino azul gostasse dela. E não conseguiu. Então, a menina decidiu ser garrafa para ser lançada ao mar. Ou ser lâmpada para apagar. Ela só não queria mais brincar com o menino azul.

quarta-feira, 3 de dezembro de 2008

Ed Vedder, please, save me!

Once divided...nothing left to subtract...
Some words when spoken...can't be taken back...
Walks on his own...with thoughts he can't help thinking...
Futures above...but in the past hes slow and sinking...
Caught a bolt a lightnin...cursed the day he let it go...
Nothingman...
Isn't it something?
Nothingman...
She once believed...in every story he had to tell...
One day she stiffened...took the other side...
Empty stares...from each corner of a shared prison cell...
One just escapes...ones left inside the well...
And he who forgets...will be destined to remember...oh...oh...oh...
Nothingman...
Isn't it something?
Nothingman...
Oh, she don't want him...
Oh, she wont feed him...after hes flown away...
Oh, into the sun...ah, into the sun...
Burn...burn...
Nothingman...
Isn't it something?
Nothingman...Nothingman...
Coulda been something...
Nothingman...Oh...ohh...ohh...

domingo, 30 de novembro de 2008

Aos anos 90 - a década que acabou

O tempo passava devagar. Cada ano, 365 dias. Sem pressa. Sem correr. O cabelo demorava a crescer - e os peitos também. O mundo era muito maior. As distâncias existiam. Era preciso percorrer fisicamente os quilômetros. Correr rodovias, subir a serra. Cartas e cartões-postais chegavam em casa como msn. Um bilhete escrito em folha de caderno pela minha vizinha era esperado de manhã como o pão fresco na padaria às cinco da tarde. Recados de alguém que tinha perguntado por mim. As bocas não tinham nome. Eram só beijos. Eita vida fácil. Fui Ana por tantos anos que nem sei quem de fato era: pura, puta, menina, mulher. Eu transbordava. As noites só acabavam no domingo. O cheiro de peixe e mar e sal e vento noroeste se misturavam ao meu Farenheit. E tantos outros perfumes se misturavam numa mesma noite no meu corpo queimado de sol e cheio de glitter - gostava mesmo quando era Polo Sport, Ralph Lauren. O amor para toda a vida, o amor da primeira dose, o amor da música cantada no meu ouvido que me arrepiava, o amor sem nome, o amor do fogo emprestado, o amor da fila, o amor do fim do mundo que ia chegar no ano 2000. Os Baldwins eram adjetivos. Ah, os irmãos Baldwin! Kurt cantava. Ed me enlouquecia. "Oi, quê? Tá!". Peguei. Eita vida boa. E os nerds eram só nerds. Gente chata e feia e com mau hálito. Os anos 90 foram tão bons que se estenderam além calendário. O verão derradeiro durou dois anos. Ai, que saudade.

E o mundo acabou mesmo nos anos 2000. msn, gtalk, orkut, myspace, facebook, twitter, blogs, cocaína. Tanta gente se falando e não dizendo nada. Tanta proximidade e tão pouco contato. Basta um google para saber de alguém. O que faz, quem é, quem já pegou, se trepa bem, o que pensa sobre aquele filme. Com tanta informação, tantos prós e contras já contabilizados, para quê arriscar? Para quê se apaixonar? A vida ficou muito chata, seu Bill Gates! I can't get no satisfaction.

segunda-feira, 24 de novembro de 2008

Árvore juglandácea que dá a noz

As paredes se esfarelam. Desfazem-se como o tecido endometrial que se desmancha e escorre do meu útero. O vento da idade que corre foi tão forte que destruiu a cozinha, a copa de azulejos azuis e o quintal. Levou embora a firmeza das mãos e a nitidez do olhar. Já não se faz mais doce. Nem de mamão, nem de leite fervido numa lata. Os sabores ficaram pedidos no tempo. Uma maçã azeda que só sabia adoçar minha vida. No bailar do tempo que passa, eu seco. Eu inverno. E o casal que dança valsa vende a casa. Eles vão embora do castelo e eu, princesa de ninguém, fico órfã de novo. Mas agora é de um lugar.

domingo, 16 de novembro de 2008

Oi?

Algum tarado colocou a palavra "trepada" no Google e esse, por sua vez, localizou este blog. Dãrn...endereço errado, né?

terça-feira, 11 de novembro de 2008

Quando eu acordei na terça-feira...

...só conseguia pensar na Times Square.

E acabei com um caramel macchiato nas mãos em que se lia Marília.

Andy Sachs

Era uma vez um moço chamado Darcy Ribeiro. Ele era comunista. E escreveu um livro com um bonito nome de índia. Em tupi, significa única. E em alguma outra tribo que eu nunca soube, é "sol refletido na água". Dizem...

Para as lentes de um fotógrafo, foi o nome de uma onça que não conseguia se adequar. E, sozinha, ia vivendo. À margem.

Incrível. Mas as pessoas não conseguem dizê-lo. Repetir um nome tão simples, com cinco letras. Três vogais.

Maiara, Mayara, Máira, Mayra, Marília, Marina, Marinara, Maria, Mariana, Marisa, Marajoara - THAT´S NOT MY NAME!

Thank you very much! God save the queen!